Em Uma noite enluarada a sombra se virou para o seu desprezível dono, ergueu as suas mãos cinzenta até ele. Colocou o seu dono ao seu lado para pensar o que deveria ser feito.
O Dono com a alma paralisada, disse quase sem voz:
-Não tenho medo de você – e abaixou a cabeça apreensivo e se calou.
A sombra então, tocou-lhe a face e sussurrou em seu ouvido:
-Tema-me querido, pois eu sou a morte - depois deu um sorriso doente e se calou.
O dono reuniu o que lhe restava de coragem fechou os olhos, apertando-os até que conseguisse respirar novamente e gaguejou:
- Eu não tenho medo de você... – A sombra parou o movimento que fazia com as mãos, abandonando o pensamento antigo, olhou para o seu desprezível dono, com seus olhos de vidro derretido por uma chama de fogo eterna e transparente, tão profundos que se enxergava o outro lado, deu uma gargalhada com um cheiro que lembrava éter, cheiro de éter no ar nunca é um bom sinal. Agarrou o rosto do seu pobre dono com desdém, se aproximou e sussurrou em seu ouvido:
-Pois então tema-me querido, porque eu sou a morte, e vou tirar isso que você chama de vida em uma única maldita respiração.
Retomou o antigo raciocínio e sorriu, afinal a morte não é o pior que se pode oferecer ao um ser humano, pelo menos não naquele momento.
Suspirou e por fim sorriu...
sábado, 9 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Vulgo: Cinderela.
"Que mundo hein, em um segundo, me confundo com a dama e o vagabundo, é sempre assim o fim do quadro. É quando o sapato vai ficando apertado,
e o vestido pega dos lados, é o fim do sonho encantado. De princesa pra rainha, de beleza adivinha,
se não é a experiência e a inteligência que fica, Sabedoria rica, por favor me explica,o que o ataque da corrosão do tempo não danifica
Aparentemente a mente nem se cogita, mas o corpo fica gordo, em troca da filha bonita.
Nessa altura a vida fica dura e muito mais sofrida, e isso multiplica quando não tem pai pras suas filhas.
Que educa na luta mesmo com jornada dupla,na raça abraça tanta desgraça que acostuma. Solteiras, separadas, traídas, viúvas,
mães que derramam suor como a chuva."
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Danilo
Tu amarás outras mulheres
E tu me esquecerás!
É tão cruel, mas é a vida.
E no entretanto
Alguma coisa em ti pertence-me!
Em mim alguma coisa és tu.
O lado espiritual do nosso amor
Nos marcou para sempre.
Oh, vem em pensamento nos meus braços!
Que eu te afeiçoe e acaricie...
Não sei porque te falo assim de coisas que não são.
Esta noite, de súbito, um aperto
De coração tão vivo e lancinante
Tive ao pensar numa separação!
Não sei que tenho, tão ansiosa e sem motivo.
Queria ver-te... estar ao pé de ti...
Cruel volúpia e profunda ternura dilaceram-me!
É como uma corrida, em minhas veias,
De fúrias e de santas para a ponta dos meus dedos
Que queriam tomar tua cabeça amada,
Afagar tua fronte e teus cabelos,
Prender-te a mim por que jamais tu me escapasses!
Oh, quisera não ser tão voluptuosa!
E todavia
Quanta delícia ao nosso amor traz a volúpia!
Mas faz sofrer... inquieta...
Ah, com que poderei contentá-la, jamais?
Quisera calmá-la na música...
Ouvir muito, ouvir muito...
Sinto-me terna... e sou cruel e melancólica!
Possui-me como sou na ampla noite pressaga!
Sente o inefável!
Guarda apenas a ventura
Do meu desejo ardendo a sós
Na treva imensa...
Ah, se eu ouvisse a tua voz!
A vigília de Hero - Manuel Bandeira
E tu me esquecerás!
É tão cruel, mas é a vida.
E no entretanto
Alguma coisa em ti pertence-me!
Em mim alguma coisa és tu.
O lado espiritual do nosso amor
Nos marcou para sempre.
Oh, vem em pensamento nos meus braços!
Que eu te afeiçoe e acaricie...
Não sei porque te falo assim de coisas que não são.
Esta noite, de súbito, um aperto
De coração tão vivo e lancinante
Tive ao pensar numa separação!
Não sei que tenho, tão ansiosa e sem motivo.
Queria ver-te... estar ao pé de ti...
Cruel volúpia e profunda ternura dilaceram-me!
É como uma corrida, em minhas veias,
De fúrias e de santas para a ponta dos meus dedos
Que queriam tomar tua cabeça amada,
Afagar tua fronte e teus cabelos,
Prender-te a mim por que jamais tu me escapasses!
Oh, quisera não ser tão voluptuosa!
E todavia
Quanta delícia ao nosso amor traz a volúpia!
Mas faz sofrer... inquieta...
Ah, com que poderei contentá-la, jamais?
Quisera calmá-la na música...
Ouvir muito, ouvir muito...
Sinto-me terna... e sou cruel e melancólica!
Possui-me como sou na ampla noite pressaga!
Sente o inefável!
Guarda apenas a ventura
Do meu desejo ardendo a sós
Na treva imensa...
Ah, se eu ouvisse a tua voz!
A vigília de Hero - Manuel Bandeira
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real e que , contudo
Eu ja não cria que existisse mais .
Este amor que surgiu inesperado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é o túmolo onde jaz
Meu corpo pra sempre sepultado.
Este amor meu é como um rio ; um rio
Noturno , e terminavel e tardio
A deslizar macio pelo ermo...
E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.
(J. Olympio)
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Quando hoje acordei , ainda fazia escuro
(Embora a manhã estivesse avançada)
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite .
Então me levantei ,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente , acendi um cigarro e fiquei pensando...
-Humildemente pensando na vida e nos homens que amei.
(Aguilar)
(Embora a manhã estivesse avançada)
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite .
Então me levantei ,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente , acendi um cigarro e fiquei pensando...
-Humildemente pensando na vida e nos homens que amei.
(Aguilar)
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
- Não faz mal, eu vou matar ele.
- Que é isso menino, matares teu pai?
- Vou, sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu."
- Mateus Bernstein
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