quinta-feira, 30 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Danilo

Tu amarás outras mulheres
E tu me esquecerás!
É tão cruel, mas é a vida.
E no entretanto
Alguma coisa em ti pertence-me!
Em mim alguma coisa és tu.
O lado espiritual do nosso amor
Nos marcou para sempre.
Oh, vem em pensamento nos meus braços!
Que eu te afeiçoe e acaricie...

Não sei porque te falo assim de coisas que não são.
Esta noite, de súbito, um aperto
De coração tão vivo e lancinante
Tive ao pensar numa separação!
Não sei que tenho, tão ansiosa e sem motivo.
Queria ver-te... estar ao pé de ti...
Cruel volúpia e profunda ternura dilaceram-me!

É como uma corrida, em minhas veias,
De fúrias e de santas para a ponta dos meus dedos
Que queriam tomar tua cabeça amada,
Afagar tua fronte e teus cabelos,
Prender-te a mim por que jamais tu me escapasses!

Oh, quisera não ser tão voluptuosa!
E todavia
Quanta delícia ao nosso amor traz a volúpia!
Mas faz sofrer... inquieta...
Ah, com que poderei contentá-la, jamais?
Quisera calmá-la na música...
Ouvir muito, ouvir muito...
Sinto-me terna... e sou cruel e melancólica!

Possui-me como sou na ampla noite pressaga!
Sente o inefável!
Guarda apenas a ventura
Do meu desejo ardendo a sós
Na treva imensa...
Ah, se eu ouvisse a tua voz!

                        
                                                                 A vigília de Hero -   Manuel Bandeira

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Este infinito amor de um ano faz 
Que é maior do que o tempo e do que tudo 
Este amor que é real e que , contudo 
Eu ja não cria que existisse mais .

Este amor que surgiu inesperado 
E que dentro do drama fez-se em paz 
Este amor que é o túmolo onde jaz 
Meu corpo pra sempre sepultado.

Este amor meu é como um rio ; um rio
Noturno , e terminavel e tardio 
A deslizar macio pelo ermo...
E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva 
Para o espaço sem fim de um mar sem termo. 

(J. Olympio)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quando hoje acordei , ainda fazia escuro
(Embora a manhã estivesse avançada)
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite .
Então me levantei ,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente , acendi um cigarro e fiquei pensando...
-Humildemente pensando na vida e nos homens que amei.


(Aguilar)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"Fungue comprimidamente.
- Não faz mal, eu vou matar ele.

- Que é isso menino, matares teu pai?
- Vou, sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu."

- Mateus Bernstein

terça-feira, 6 de julho de 2010

Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada .


Cadê os cheiros novos? Os sabores novos? As pessoas novas? Os lugares novos?
E uma eu nova? Seria possível?
Quantas interrogações! Acabo de achar uma exclamação! Opa, era só pra ilustrar a certeza de que eu não tenho certeza sobre nada.


sábado, 26 de junho de 2010

Meu eterno, Matheus.


"- Às vezes eu queria ser assim igual a você!
- Assim como?
- Com esse jeito frio, fechado de ser, sem se importar nem um pouco com as pessoas que não estejam extremamente próximas. Pra falar a verdade, eu me acho é tola, boba, sei lá, por gostar tanto de tanta gente assim, praticamente sem motivo... e depois sempre acabar me magoando com elas, sabe?
- O que tu guarda aí dentro é coisa rara, valiosa, guria. Tu tem o coração mais lindo que eu já vi no mundo. Não é culpa tua quando gente ruim rouba-o de ti e acaba deixando quebrar justamente por não saber como cuidar dele como você cuida dos corações podres dos outros.

Coração podre de gente ruim, assim como o meu - pensei. "

{- Mateus Bernstein}